Fonte: Brasil Econômico – SP
Categoria: Mobile
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Celular como nova mídia
Outubro 2007
Abordaremos em nosso estudo, o telefone celular como uma nova mídia, onde suas evoluções tecnológicas, seu poder de convergência com as demais mídias (televisão, rádio, internet) rompem barreiras de espaço e tempo. O celular que até então era apenas um meio de comunicação entre pessoas, passou a se tornar uma das maiores mídias por possuir um caráter informacional e comunicacional, abrangendo diversas características como a interatividade e conectividade.
As relações formadas por essa comunicação possuem um caráter efêmero, variando de acordo com os interesses dos sujeitos em interação, onde esses são cada vez mais solitários, mais centrados em si e menos aberto a trocas, ou seja, os sujeitos estão mais interessados em tomar para si uma informação do que dividí-la com o outro, levando a subjetividade e a reafirmação do eu.
Assim as pessoas tornam-se sedentas de mudança. Estas, vêm acontecendo nas formas de interações sociais promovidas por essa nova e crescente mídia, substituindo a interação face a face por uma na qual os sujeitos tornam-se cada vez mais “personalizados”. Tudo isso porque o celular permite que os usuários escolham um “ringtone” para cada pessoa de sua lista telefônica, que pode conter além do número, endereço residencial e email, este pode ser acessado pelo próprio aparelho móvel. Pode-se fazer também um álbum com suas fotos preferidas e enviá-las para seus amigos via MMS (mensagem multimídia). Além disso o celular comporta ainda a agenda de compromissos do trabalho e proporciona lazer: a lista de música em Mp3 que o usuário faz, rádio, internet, vídeos (feitos ou não pelo próprio usuário), etc. Essas possibilidades diversas e diferentes entre as pessoas fazem que elas tenham o celular, não como um simples objeto, mas como algo de estremo valor e até como vitrine pelo que são. Essa dependência que nasce entre usuário e aparelho torna maiores as possibilidade dele surgir como uma mídia crescente e jamais vista, pois nenhuma outra fornece tamanho apreço a cada indivíduo. É a influência que os aparelhos móveis proporcionam na vida das pessoas.
Com tanta influência, podemos observar que os meios de comunicação como, publicidade e propaganda e até mesmo relações públicas estão apostando alto na telefonia móvel como uma nova forma de divulgação, na qual futuramente poderá ser tão explorada como a internet e até mesmo ultrapassa-la, Tudo isso fica comprovado nas pesquisas realizadas em estudos elaborados por André Lemos, Camila Maciel Mantovani e Paco Torras e Tatiana Albulquerque, Elisabeth Avila Abdala, estudiosos nos quais centralizamos nossas análises para desenvolvermos um estudo de fácil compreensão.
O celular como meio de comunicação mobile, pode ser utilizado sozinho ou em conjunto com outras mídias. E de acordo com o livro, em qualquer um dos casos alcança excelentes resultados, principalmente na segunda opção.
De acordo com a consultoria inglesa Firstpartner a campanha “mobile” possui cerca de 12 % de resposta, enquanto o rádio e a televisão, respectivamente, giram em torno de 6 e 7%. Tudo isto acontece porque ele é a única mídia que possui mobilidade, e não depende das relações espaço-temporais que as outras mídias necessitam. Além disso, o impacto das publicidades enviadas via SMS (mensagem de texto) são muito maiores. As pessoas podem por simples hábito fechar um “pop-up”, quando abrem uma página de Internet, sem ao menos ver do que se trata, porém não fazem o mesmo quando recebem uma SMS, mesmo que em seguida a apaguem.
As empresas aproveitam com muita inteligência essas possibilidades através de promoções. Estas podem ser feitas com a ajuda de outras mídias. Como exemplo temos a “Oi”, que utiliza as mensagens para falar de promoções que acontecerão na rádio, e em sua programação da rádio estimulam o envio de mensagens para a compra de músicas. Isto só reforça a força que o celular ganha a cada dia no âmbito publicitário.
De acordo com estas experiências que já vem acontecendo e com as crescentes tecnologias que o celular vem desenvolvendo, acreditamos que outras formas de propagandas serão exploradas com mais ênfase pelo celular, como as publicidades por meio de mensagem multimídia: vídeos personalizados para cada usuário, falando dos produtos e serviços de seu interesse e ainda cabines de promoções com a tecnologia Bluetooth, onde as pessoas poderão “pegar” informações sobre os produtos que lhe interessam.
Através destas tecnologias os aparelhos estão cada vez mais personalizados e caracterizados como o usuário deseja, possibilitando-o fazer suas próprias programações e utilizar diversas funções. Os “Rigtones” por exemplo – toques dos celulares que modernizaram a chamada “função de alerta” de chamadas – chegou ao Brasil em 1.999, através da empresa “Takenet” de serviços para telefonia celular. Este avanço tecnológico permitiu que os “ringtones” deixassem de ser simples sons criados exclusivamente para celular e pudessem sofrer adaptações de outros sons, como músicas.
Uma atual pesquisa da empresa “In-Stat”; revelou que os executivos norte-americanos gastam, em média, US$ 300 mensais em serviços (chamados “sem fio”) dos celulares. No Brasil não é muito diferente. O gerente Osmar J. da Fonseca Costa calcula que parte dos R$ 100,00 que gasta mensalmente apenas 30% são em ligações.
De olho nisso, cada vez mais, as operadoras ampliam o seu cardápio de atrações, com planos que englobam cada vez mais funções. Essa tendência, em nossa opinião, está em contínuo progresso e provavelmente não terá limites para sua evolução.
A Tim já oferece envio dos exames médicos via aparelhos de celular. A Claro lançou neste mesmo ano um serviço capaz de levar dez canais de TV para a telinha do celular. A Vivo por sua vez investe, cada vez mais, em funções de localização.
Sem limites de criatividade, a empresa japonesa “NTT DoCoMo” deu uma “mãozinha para a cegonha” e lançou um aparelho capaz de avisar às aspirantes mamães sobre a hora ideal para tentar se engravidar.
Para aqueles que derrapam nas curvas da bebedeira já existe um aparelho que conta com um sistema desenvolvido para contornar os eventuais danos e constrangimentos. O LP4100, da LG, vem equipado com bafômetro capaz de medir o teor alcoólico do seu usuário. Ele sopra um sensor e o aparelho indica seus dados, mostrando se é possível voltar dirigindo ou se é melhor e mais prudente procurar por um táxi.
A Motorola, procurando facilitar a vida dos executivos, lançou o “A1200i” que lê e grava as informações dos vários cartões de visita que enchem os seus bolsos. A tarefa é simples e realizada com a ajuda de uma câmera fotográfica de 2 Mpixels e da tecnologia OCR (abreviação em inglês para reconhecimento óptico de caracteres), acoplada ao aparelho.
Outra novidade para ampliar as funções dos aparelhos celulares é um software de mapas em 3D criado pela GeoVector. Basta mirar o telefone com GPS embutido para um local e o sistema dará informações sobre o lugar. Se você apontar para, por exemplo, um restaurante chinês, será exibida uma lista de casas parecidas nas proximidades.
Este fascinante mundo da tecnologia da informação, com certeza tem mudando a forma como nos relacionamos, por isso o celular tende a ser a mídia do futuro. Somente ela tem o caráter multimídia em mobilidade, espaço temporal, essencial diante dessa nova relação social.
Ensaio produzido no segundo período do Curso Comunicação Social – PUC Minas


